Variante do coronavírus achada em Manaus é mais transmissível, revela Fiocruz

Comparação entre infectados à primeira e à segunda onda da pandemia de coronavírus no Amazonas indica que a infecção pela variante P.1. gera maior carga viral, e, portanto, mais transmissível

Por Sérgio 27/02/2021 - 20:00 hs

Por: Sérgio Ferreira

Comparação entre infectados à primeira e à segunda onda da pandemia de coronavírus no Amazonas indica que a infecção pela variante P.1. gera maior carga viral, e, portanto, mais transmissível

Análise feita por cientistas da Fiocruz Amazônia a partir da proliferação do número de infectados pela variante P.1 do coronavírus surgida no Amazonas revelou, segundo relato feito à manhã de sábado (27), que adultos infectados com a variação geram maior carga viral quando comparados com adoecidos por outras linhagens do coronavírus.

A constatação de uma maior carga viral significa que é maior a transmissibilidade do vírus a partir da variante P.1, o que contribui para que ele se espalhe mais rapidamente. Estudo, não publicado até o momento, está disponível on-line e indica medidas não-farmacológicas – como distanciamento social, uso de máscara e higienização – como capazes de frear a rápida propagação da P.1.

Para melhor entender o que levou P.1 a este sucesso na disseminação, comparamos a quantidade de vírus nas amostras dos pacientes P.1 e não P.1. Fizemos isso pelo Ct do teste de PCR (quanto menor o Ct, maior a carga viral).

Balanço feito pelo Ministério da Saúde à última terça-feira (23) revelou que além do Amazonas, outras 17 unidades da Federação já detectaram a existência de moradores infectados com a P.1 a partir de levantamentos das secretarias de Saúde. Em Minas Gerais, sabe-se que são seis registros da linhagem do coronavírus – chamada de “variante de preocupação” pelos especialistas à frente da análise.

A condução da amostragem começou em abril com o primeiro pico da doença em municípios do Amazonas quando detectou-se a presença de linhagens frequentes em outras regiões do país. Entretanto, no segundo pico registrado cerca de oito meses depois, entre o término do ano passado e o início de 2021, constatou-se o surgimento da variante P.1, que rapidamente dominou a epidemia de coronavírus na localidade. Foram 250 códigos genéticos rastreados no período.

O método para investigação, como detalhou o cientista Tiago Gräf, partiu da criação de um PCR próprio para identificação das variações do vírus. “A Fiocruz Amazonia desenvolveu um teste de PCR para diferenciar a linhagem P.1 das outras linhagens. Com isso foi possível testar centenas de amostras e observar o crescimento exponencial dessa VOC (sigla em inglês para ‘variante de preocupação’) a partir de dezembro”.

Maior carga viral: o que significa?

Comparação feita entre taxas de transmissibilidade da linhagem detectada na população amazonense no mês de abril e da P.1 pontuou que a primeira espalhou-se por um grupo de indivíduos nunca expostos à Covid-19, enquanto, por outro lado, a segunda apresentou-se tão ou mais eficaz mesmo com a imunidade de parcela da sociedade.

“Para melhor entender o que levou P.1 a este sucesso na disseminação, comparamos a quantidade de vírus nas amostras dos pacientes P.1 e não P.1. A comparação dos pacientes mostra claramente que a infecção por P.1 gera maior carga viral em adultos”, afirmou Gräf. Significa, como citado nas conclusões, que a linhagem recém-encontrada pode ser mais transmissível que variantes anteriormente detectadas no Amazonas – maior carga viral, portanto, maior quantidade de vírus no organismo, e, logo, contribui para que o coronavírus espalhe-se com velocidade mais acentuada.

Em relação a idosos, que integram o grupo de risco da Covid-19, análise indicou que pouco significaram mudanças a infecção por P.1 do padrão estabelecido na população em questão. “Talvez porque nossa amostragem era menor nesse grupo ou porque esses indivíduos são igualmente vulneráveis a todas as linhagens”, citou o pesquisador.

Medidas não-farmacológicas, como o uso de máscara e o distanciamento social, são apontadas como estratégias para frear a rápida proliferação da linhagem mais transmissível do coronavírus. Gráfico incluído na investigação indicam que a taxa de transmissão caiu no Amazonas no mês de janeiro logo que começaram a crescer as taxas de isolamento.

E o que podemos fazer contra essa diaba da P.1?
Distanciamento, uso de máscara e tudo aquilo que já estamos carecas de saber. Vejam como o Re de P.1 cai no AM assim que o distanciamento volta a subir em janeiro!!

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